26 de September de 2017
Carmela Grune

Conhecer para incluir

Foto – No dia 18 de março, na Saraiva, em Porto Alegre, o Projeto Desmitificando o Direito recebeu Heber Luis Trindade Moreira, ex-integrante do Direito no Cárcere, para cantar a sua música “Manifesto Carcerário” com Ras Sansão, músico voluntário, Fernando Catatau, percussionista voluntário e eu no baixo”, música inclusão! Registro Jai T Junior, Mafia Kick.

Carmela Grune*

Editorial da 41 Edição do jornal Estado de Direito – http://issuu.com/estadodedireito/docs/ed_41_estado_de_direito.

Os trabalhos que antecedem a materialização do Jornal Estado de Direito são aqueles que determinam a característica de como será apresentada a publicação. As principais influências são os fatos que acontecem ao nosso redor, reconhecidos ou não pelo universo jurídico, mas que necessitam de reflexão e aprofundamento.
A proposta da pesquisa científica a partir dos textos destacados na capa, tem como objetivo estimular e valorizar a importância do pensamento à prática, ambos, necessários para fortalecer a identidade, no caso do direito, o sentimento constitucional dentro de cada cidadão, para pensar o Direito que temos e o que precisamos ter.
A partir da pragmática jurídica, com exemplos, demonstramos como a dedicação e a confiança, colaboram para enfrentar o medo que oprime o desejo de conhecer o desconhecido. Isso porque o novo gera dúvidas, saímos de um plano estável para um plano o qual precisamos descobrir.

Serviço público

Assim, seremos capazes de enxergar pessoas que muitas vezes estão invíseis, que são vistas apenas quando precisamos, notamos na coleta de lixo, no transporte público ou quando somos vítimas da violência.
Atenção e cuidado com quem faz parte da cidade requer como palavra central: inclusão. Dentro da política pública, envolver todos os setores para o cuidado daquilo que é comum. Desde a água, ao lixo, ao cárcere, pois todos vivemos nesse “condomínio”.

Construção

Este texto pode estar sendo lido num escritório, na universidade, no ônibus, na praia, na fila do banco, no presídio, independente do lugar podemos ter convicção de que o conhecimento abre portas, janelas, traz luz para o nosso caminho. O sentido do nosso trabalho é esse. É um trabalho invisível de primeiro momento, que não pode ser avaliado como uma obra pública, nem tocado como objeto, porque a construção está dentro de nós, mas certamente o olhar que temos sobre o ser humano, a partir do conhecimento pode ser sim modificado.
Somos mais que marcas e cores, somos o sentido do direito existir, somos comunidade e, como tal, devemos enxergar o outro. Pensar no coletivo é empreender, é ser criativo, pensar com alteridade de como podemos trabalhar para que mais pessoas possam ser INCLUÍDAS.
Nossa realização é poder ver, sentir, ouvir, como a sabedoria garante nossa dignidade, autoestima, para não se calar, para questionar até que ponto um argumento, uma decisão pode dizer que isso ou aquilo é direito, ou melhor, se aquilo faz justiça.

Cultura

Na próxima semana, o projeto Direito no Cárcere, do Jornal Estado de Direito, recebe no Theatro São Pedro, a Medalha da Cidade de Porto Alegre. Nesse dia, espero estar reunida com os voluntários, parceiros, e, principalmente, com quem precisa ser incluído, os detentos, que hoje estão cumprindo pena com o monitoramento eletrônico.
Fiquei pensando se já subiu ao principal palco de Porto Alegre, presidiários, policiais e voluntários… acredito que não. Espero poder num próximo texto aqui no Estado de Direito, poder compartilhar que esse feito aconteceu.
Sentimento constitucional, inclusão social, alteridade, dignidade, se promove com cultura, nada mais animador do que um teatro para reforçar a nossa cidadania.

* Diretora Presidente do Jornal Estado de Direito. Advogada. Jornalista. Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS. Autora dos livros “Participação Cidadã na Gestão Pública” e “Samba no Pé & Direito na Cabeça” (obra coletiva), ambos publicados pela Saraiva.

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